Porque temos depressão?
O lado fascinante da psicologia é aplicar toda teoria e pesquisas em
nosso dia a dia e desfrutar de todo conhecimento que os psicólogos
reúnem. É preciso entender essa nossa cabeça. Entender porque as pessoas
têm depressão e ansiedade.
As pessoas limitam suas vidas devido à depressão e ansiedade , por
exemplo, uma pessoa chegou a desistir da cerimônia do seu próprio
casamento só para não ser o centro das atenções ao entrar na igreja.
Neste caso, atendido em consultório de psicologia, o rapaz tinha pavor
em entrar em uma situação onde as pessoas estariam observando-o. Ficar
no altar seria um sofrimento tão grande que ele optou por cancelar a
cerimônia religiosa. Quantas e quantas pessoas eu já atendi que ficavam
em casa sozinhas, sofrendo de solidão. Pense bem, com tanta gente no
mundo, também solitária, que poderiam fazer companhia um para o outro
porque estas pessoas não se encontram? Porque estão deprimidas demais
para encontrar solução para suas angustias. Por isso o psicólogo deve
ser o agente transformador. O psicólogo consegue ver a situação com um
olhar técnico que torna possível levar a pessoa à solução.
Outros
exemplos: existem muitas pessoas que vão para festa e não comem, não
dançam, não desfrutam da festa porque se sentem inadequadas, sentem que
vão fazer alguma besteira, sentem que todas as pessoas estão olhando
para elas. Mas será que todos estes “sentimentos” são verdadeiros?
Há pessoas que não aceitam o fim do relacionamento e chegam a ponto
de matar o outro por não conseguirem suportar a depressão causada pelo
rompimento.
O que tem em comum nessas situações todas?
O que limita a vida de
cada uma dessas pessoas são as suas crenças. As coisas nas quais elas
acreditam é que determinam cada atitude destruidora. Cada sentimento e
comportamento que a gente tem é definido por nossas crenças e por nossos
esquemas internos.
Esta é a reposta. As pessoas são depressivas e ansiosas devidos às
suas crenças limitantes e destruidoras. Tudo o que as pessoas fazem são
motivadas por suas crenças.
Um desiste da entrevista de emprego porque acreditou que não teria a
menor chance de ser aprovado. Outro fica em casa morrendo de solidão
porque acredita que não terá ninguém no mundo com quem possa ter
afinidades. O pior da história é que as pessoas acreditam em coisas que
são totalmente falsas, como o caso da pessoa que paralisa diante de um
gato porque, internamente, acredita que o gato pode lhe causar um mal
terrível. Mesmo que a pessoa reconheça que essa crença é irreal a crença
existe e é forte o suficiente para que ele paralise e tenha atitudes
até ridículas diante de um gato.
Outras pessoas sentem falta de ar, o coração disparar e já correm
para o pronto socorro com a clara crença de que estão tendo um ataque do
coração. Por mais que o médico diga “Você não tem nada no coração, seu
corpo está saudável”, ainda assim essa pessoa acredita que está para
morrer. Esse é um exemplo de síndrome do pânico. Síndrome do pânico é um
quadro de ansiedade composto por sintomas que aparecem em decorrência
da crença em algo que não existe.
Outras pessoas tem um emprego legal, uma família normal, amigos
razoáveis, mas, mesmo assim tem dias que ficam sem coragem de sair da
cama, acreditam que sua vida não vale nada, que tudo é horroroso, que
seria melhor morrer do que continuar vivendo essa vida, este é um
exemplo de depressão.
O que tem em comum nestes exemplos todos são as crenças disfuncionais.
Você pode estar se destruindo por acreditar que vai morrer, que o
gato é um perigo horrível, que sua vida não vale nada. São crenças
limitantes, falsas e erradas.
Porque as pessoas insistem em manter essas crenças se elas atrapalham
tanto?
Porque você não tem consciência de tudo o que foi entrando na
sua mente. Você pensa que você controla todo o seu conteúdo mental, mas
pode não controlar. Nem tudo o que está dentro da sua cabeça entrou com
análise, com lógica, muita coisa entrou automaticamente, muita coisa
você acreditou porque recebeu de pessoas que eram significativas pra
você. Quando alguém importante em sua vida te diz alguma coisa você
tende a não questionar, simplesmente aceita como verdade. Outras crenças
entraram na sua cabeça em um momento da sua vida que você estava
vulnerável, então você não raciocinava direito naquele momento e se
tornou vulnerável a ideias erradas. As pessoas ficam vulneráveis quando
acontecem coisas muito fortes, quando alguém importante morre, quando
você foi pela primeira vez para a escola, quando vai pro 1º baile, etc.
As crianças tendem a acreditar piamente nas pessoas que cuidam delas, os
pais, professores, tios. O que essas pessoas dizem acaba sendo “lei”.
Acredita-se sem questionar. Mas pais e professor não são os donos da
verdade e as crianças acabam aprendendo muita coisa prejudicial. Coisas
estas que devem ser questionadas assim que tiver maturidade.
Você já fez a sua analise quanto às coisas que acreditou durante a
infância?
Já fez sua limpeza ou será que ainda está sob a influencia
das verdades alheias que não dizem respeito a sua realidade?
As crenças culturais também fornecem influencia negativa. Seu meio
cultural te ensinou que jamais se deve dissolver um casamento, por mais
que você apanhe, por mais que você seja desrespeitada, você aprendeu que
não se deve separar, nunca, e aí amarga um longo e destrutivo
relacionamento.
Teve um caso de uma paciente com fortes sentimentos e pensamentos do
tipo “Nunca senti que fui especial para alguém, não tenho ninguém para
se importar com o que acontece comigo”. Isso são crenças dentro de um
esquema que em psicologia se chama privação emocional . Ao analisarmos
sua história de vida descobrimos que ela teve pais que foram muito
distantes emocionalmente. Essa distancia emocional pode fazer a criança
acreditar de que nunca será possível ter pessoas com quem ela pode
contar ou ter alguém que possa lhe dar carinho e conselhos. Esta pessoa
passa a se sentir muito deprimida, porque se vê desamparada.
Sabemos que as emoções são fenômenos cognitivos, ou seja são produtos
do seu pensamento. Você é e você se sente conforme o que você pensa. E
saber disso é ótimo porque esse é o caminho para se modificar os
sentimentos ruins. Ninguém quer sofrer de depressão. Quando a pessoa não
procura ajuda é porque não acredita que há uma forma de mudar esse
sentimento tão horrível, mas tem sim, o caminho é trabalhar seus
pensamentos disfuncionais. Na psicoterapia trabalhamos as cognições, ou
seja os seus pensamentos e as suas representações mentais. As crenças
que você introjetou e que aceitou como verdadeiras desde a infância são
crenças que devem ser reavaliadas hoje, sem falta, senão você fica presa
num passado que não faz mais sentido.
Eu proponho a psicoterapia porque há 20 anos trabalho em psicologia e
já presenciei muita, mas muita gente mesmo se libertando de amarras e
passando a finalmente viver, não apenas “sobreviver”.
Todos os seus sentimentos são sempre uma consequência de seus
pensamentos, o que você sente é o produto de suas representações
mentais. As coisa que você acredita, sejam elas falsas ou verdadeiras é
que fazem você ter os sentimentos que tem. É por isso que na terapia
agente trabalha muito o conteúdo mental, todas as pessoas que vão para a
terapia estão com algum sentimento ruim e com comportamentos que não
estão satisfazendo. As queixas mais comuns que eu ouço na terapia são
“Eu não sei lidar com meu chefe - Eu morro de raiva das coisas que X me
faz passar - Eu não consigo tomar nenhuma decisão - Sinto uma angustia
que não sei de onde vem quando estou em casa”. Ou seja, o que destrói a autoestima, o que derruba a vida de uma pessoa são as emoções negativas
- o emocional. O bem estar psicológico é fundamental para que se viva
bem em casa, com seus amigos, em seus estudos e em seu trabalho. Quando
não se está bem psicologicamente você não consegue desenvolver nada
muito bem, sua vida profissional e pessoal empaca, até sua saúde física,
seu corpo adoece com mais facilidade quando você não está bem
psicologicamente.
Quando alguém está com um sentimento ruim, com depressão , angustia,
duvidas, sentimentos de rejeição, tudo isso vem de pensamentos
disfuncionais, negativos, e muitas vezes esses pensamentos negativos são
falsos, as pessoas acreditam em mentiras, mentiras que elas contaram
para elas mesmas, e sofrem com o resultado dessas mentiras.
Nem todo pensamento negativo é mentiroso, por exemplo, se alguém está
deprimido porque foi reprovado no vestibular, isso é uma realidade,
ótimo, então o trabalho em terapia será o de ajudar essa pessoa a
entender porque ela foi reprovada, será que ela se boicotou e se
reprovou porque nem ela queria fazer aquele curso, ou será que faltou
disciplina e dedicação para estudar? Vamos trabalhar com ela e fazer de
tudo para que consiga atingir essas metas. Vamos aplicar a técnica que
se chama “resolução de problemas”. O mesmo acontece quando o problema é
com o trabalho, se as coisas que você está fazendo não estão dando
resultado e você não progride profissionalmente então vamos ver o que
está travando. Uma análise individual e bem apurada pode resolver, e
quando descobrirmos o porque dessa dinâmica vamos achar os caminhos para
vencer essas dificuldades.
Um outro exemplo de crenças que as pessoas tem são do tipo:
“Eu não me
encaixo, sempre me sinto excluído”, ou outro tipo de pensamento bem
comum “se eu desaparecer amanhã, ninguém vai notar”. Essas são as
crenças de isolamento social. Esse tipo de crença é comum em pessoas que
perceberam que suas famílias eram de alguma forma diferente das demais,
ou alguém tinha uma doença, ou eram de outra cultura. Quando se
introjeta esse tipo de crença a pessoa cresce com a sensação de que não
se encaixa mesmo, a pessoa se sente um “ET” na multidão. As crenças de
vulnerabilidade são outro tipo de crença que as pessoas costumam
carregar para o resto da vida e se não tratar pode atrapalhar demais.
Quando a pessoa tem esse esquema de vulnerabilidade passa a ter
pensamentos de que pode um dia virar um sem teto, pode virar um mendigo,
a pessoa tem medo de ser atacada, medo de que coisas muito ruins possam
acontecer com ela. Normalmente esse tipo de crença acaba virando
síndrome do pânico onde a pessoa fica mesmo com a sensação de que está
tendo um ataque cardíaco, de que vai morrer por falta de ar. O que fez
essas crença entrarem na cabeça da pessoa? Normalmente o que acontece é
que esta pessoa foi criada por pessoas que muito preocupadas. Eu tive um
caso de um paciente cuja infância inteira foi permeada por comentários
sobre o cuidado que teria que ter com as pessoas na rua, pois sempre tem
alguém querendo fazer mal aos outros. A intenção dessa família é de a
criança aprenda a se cuidar, a culpa não é dos pais, mas algumas
crianças acabam interpretando essas recomendações como a certeza de um
risco iminente. Como eu sempre digo, as coisas por si só não são boas ou
ruins, as coisas são o que você percebe.
E por falar em aprender informações destruidoras na infância, atendi
também o caso de uma pessoa que recebeu um tipo de educação onde os pais
não elogiavam nunca, parecia que ela não conseguia satisfazer estes
pais, por mais que ele se comportasse, estudasse, arrumasse o quarto,
nunca era bom o suficiente, ele achava que para ter o amor dos pais ele
tinha que ser uma criança excepcional, não bastava notas altas, tinha
que ser as mais altas do colégio. O que aconteceu com essa pessoa é que
ela formou o que a gente chama de padrões inflexíveis , onde parece que
não existe o “suficientemente bom”, as coisas tem que estar perfeitas,
muitas pessoas assim acabam virando perfeccionistas, no sentido ruim da
palavra, porque ela sofre com isso. Este paciente desenvolveu um quadro
de TOC, transtorno obsessivo compulsivo, tinha mania de simetria, tudo
tinha que estar alinhado em perfeita ordem, senão dava uma angustia que
ele nem dormia enquanto não levantasse da cama e arrumasse tudo.
Outro tipo crença interessante é a busca de aprovação , a pessoa vive
de um jeito que a sua auto estima depende demais de ser aprovada pelos
outros, ela precisa ser reconhecida, não basta ela saber que fez um bom
trabalho, ela sente que precisa de reconhecimento externo, o que
acontece com alguém assim é que ela nuca vai conseguir ser verdadeira
com ela mesma, porque ela não faz as coisas por ela mesma, faz pelos
outros, e assim não dá pra sentir satisfação com a própria vida. Tive um
paciente assim, para ele a aparência , o status, ser aceita socialmente
era mais importante do que a sua realização como pessoa , ele tomava
decisões importantíssimas baseadas só no que os outros iriam dizer. O
carro que comprava era o que ele achava que os amigas iriam gostar, a
casa que comprou não foi para o seu conforto, foi para conquistar a
aprovação das pessoas, a carreira que escolheu foi apenas para receber a
admiração das pessoas. O que faz uma pessoa transformar sua vida
nisso? Foram as pessoas significativas de sua infância que deram a
entender que é preciso ter dinheiro, status, ou aparência pra ser aceito
pelas outras pessoas. Se você acreditar piamente nisso você vai sofrer,
você não desenvolve um self seguro e verdadeiro. Essa crença de que
você só será bem recebido se tiver status é muito massacrante, não dá
para ser feliz assim.
Outro esquema é o negativismo , é típico da depressão. Para algumas
pessoas quando alguma coisa ruim acontece a primeira coisa que faz é
procurar o que ela fez de errado. Isso se chama personalização má , é
assumir a culpa por tudo o que acontece de errado na sua volta. Tive uma
paciente que ficou extremamente deprimida porque fez uma pequena
brincadeira que foi mal interpretada por uma colega e esta colega se
ofendeu. Esta paciente ao invés de explicar a sua verdadeira intenção,
que era apenas de brincar com a pessoa, e esse brincar tinha a intenção
de estreitar os laços de amizade, ela assumiu a culpa, se considerou a
errada nessa história, mesmo não tendo intenção de magoar ninguém, mesmo
sendo o outro que errou ao interpretar a brincadeira como algo ofensivo.
Ainda assim ela assumiu a culpa.
Vejam a que ponto as pessoas chegam, isso é uma crença negativista
que a pessoa tem dentro de si. Essa pessoa foi criada por pais muito
preocupados com o que podia não dar certo, pais que enfatizavam o dever,
as obrigações, seguir regras. Regras são importantes, mas tudo tem
limite.
Eu não culpo os pais, mas a gente precisa entender que os pais são as
referencias, são os formadores, e muita coisa é percebida pela criança
de forma diferente da educação que os pais pretendiam dar.
Porque esta outra pessoa se sentiu tão ofendida com uma simples
brincadeira? Algumas pessoas tem um esquema interno que se chama
abuso/desconfiança . Estas pessoas estão sempre na expectativa de que os
outros vão magoá-la, desprezá-la e se possível tirar vantagem dela. Com
isso surge o mecanismo de defesa de atacar antes de ser atacada. Estas
pessoas foram tratadas de forma muito injusta durante a infância, muitas
vezes sofreram abusos físicos ou até sexuais, pode ter sido crianças
que apanharam dos pais, ou que tiveram colegas invasivos, outras
crianças que foram agressivas, e agora mesmo na idade adulta a pessoa
continua desconfiada, sempre com comportamentos defensivos. É muito
importante que na terapia dessa pessoa se trabalhe estes aspectos,
precisamos tirar esta carga emotiva para assim a pessoa não ter mais
estes sentimentos e comportamentos tão ruins.
A função da psicoterapia
É entender porque sua auto estima está
tão ruim, porque te machuca tanto ouvir alguém fazer uma critica
negativa seu respeito, ou porque você mesmo faz tantas autocríticas tão
negativas.
Essas crenças disfuncionais são armadilhas da nossa alma, passa tanta
bobagem na cabeça das pessoas e elas nem percebem o peso que estas
bobagens tem no dia a dia. Descobrir a sua trava é fundamental para que
se possa eliminar de vez esta trava. Essas crenças são como bichinhos
que vão corroendo a nossa alma, de um jeito tão quietinho, que quase nem
se percebe, só vai perceber depois que muito estrago já foi feito.
Na terapia o psicólogo usa técnicas pra identificar quais foram os
eventos, quais foram as situações da sua vida que te transformaram em
medrosa, desconfiada, depressiva, ou o que for que esteja acontecendo
contigo hoje. São técnicas regressivas. Reavaliamos com objetividade,
cada um destes episódios de forma que a carga emocional negativa que
estava te prendendo nesse passado é eliminada e você fica com a
aprendizado. Se tem um motivo pra gente vir pra essa vida é o
aprendizado. Não acho que estamos sobre a face da terra só pra ganhar
dinheiro, claro que também , mas nossa meta fundamental é nosso
crescimento como seres humanos. Só crescemos aprendendo, e cresce muito
mais quando se aprende a seu próprio respeito, quando você percebe como
sua própria cabeça funciona, e o que você pode fazer para viver cada vez
melhor. O melhor caminho para identificar o que deve ser trabalhado em
você são suas emoções. Cada vez que você se sente angustiado,
depressivo, com medo, passando mal, ansioso, fazendo coisa sem sentido,
você deve parar e procurar o que está acontecendo contigo, o que está se
passando na minha cabeça. Pois todo sentimento, toda emoção negativa, é
sempre consequência de algo que está se passando em sua mente. Muitas
vezes você não se dá conta desse conteúdo, é o que em psicanálise se
chama de “inconsciente”, na cognitiva chamamos de pensamento automático.
São pensamentos que vem à sua mente, muitas vezes passam de forma tão
rápida que você nem se deu conta que esse conteúdo mental estava ali,
como por exemplo quando você ataca um bolo inteiro, só que você está de
regime, o que te fez compulsivamente comer este bolo? Muita gente
responde “não pensei em nada, só comi”, mas isso não é verdade, na
realidade ela não se deu conta mas deveria estar com o pensamento
automático de “eu mereço, afinal de contas trabalhei a semana inteira”,
ou pensou, “afinal de contas eu faço regime para os outros gostarem de
mim, que se dane, vou me dar um presente”. Viram? aposto que tem muita
gente aí que se identificou perfeitamente. Esse pensamento te fez
ansiosa, e você teve um comportamento compulsivo, comeu tudo o que tinha
prometido a você mesma que não comeria.
Outro exemplo de pensamento automático, agora relacionado à culpa:
uma pessoa me contou que estava fazendo carne assada, mas esqueceu o
forno ligado e queimou toda a carne, bateu culpa, e ela ficou se
xingando a tarde toda. Quando investigamos os pensamentos automáticos
identificamos coisas do tipo “eu causei um grande prejuízo, não faço
nada direito”. Esse pensamento a fez se sentir muito culpada. Mas ao
analisar friamente: foi só um pedaço de carne! Quando ela percebeu que o
prejuízo era de alguns reais apenas, nada para se martirizar tanto.
Porque queimar essa carne foi tão pesado, tão significativo? Porque se
prender tanto à esse sentimento de culpa tão desproporcional? Quando
fizemos sua regressão de memória vimos que ela havia passado por
situações na infância onde se sentiu muito tola, pessoas disseram pra
ela que ela era burra, que não sabia fazer nada direito, e ela cresceu
com esse esquema dentro dela, e até hoje é muito estressante passar por
situações onde ela se sente tola, por situações que ela considera que
fez alguma burrice, é por isso que queimar um pedaço de carne acaba
sendo uma catástrofe na cabeça dela.
Viram? Quanto sofrimento as pessoas carregam dentro de si, e se você
não trabalhar todo esse conteúdo interno você não se livra destas
prisões as quais você mesmo se algemou. A boa noticia é que dá pra se
livrar desse inconsciente que te mobiliza e colocar no lugar um conteúdo
mais objetivo, com mais equilíbrio, mais paz interior.
A terapia funciona em atendimentos semanais, sessões de 50 minutos.
Nos primeiros encontros escrevemos as metas terapêuticas, fazemos a
avaliação, conforme o caso há testes a serem respondidos, depois disso
eu faço a devolutiva, ou seja conto pra você tudo o que eu percebi e
trabalhamos até atingirmos o ganho que você desenhou no inicio da
terapia, pra isso vou aplicando as técnicas de psicologia conforme o
resultado desejado.
O tempo total da terapia é individual, tem pessoas que em um mês
resolvem todas suas questões e saem felizes, outros trazem uma bagagem
maior e precisa de um pouco mais de tempo. Mas sempre, sempre vale a
pena tentar solucionar suas angustias.
Marisa de Abreu Alves
Psicóloga
CRP 06/29493
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