"Vontades", as
ideias de Schopenhauer.
A vontade é o elemento fundamental a
fim de trazer o sentido das coisas e do mundo. É essa união entre o corpo e o
sentimento, segundo o filósofo, que proporciona a essência metafísica
elementar: a vontade da vida.
Descartes descobriu o “eu”, e
Schopenhauer mostrou que não temos controle algum sobre este “eu”.
O que são vontades na visão de
Schopenhauer:
Vontades, desejos, motiva o ser
humano
Vontades: Somos refens delas.
Vontades: Causam sofrimento, pela
busca incessante de coisas que podem nos trazer felicidade, mas que está é
momentânea, e voltamos ao círculo, de buscar novas coisas que possam nos trazer
algum tipo de felicidade.
Vontades: É um índice de necessidade,
e como ela é imperecível, continua sempre insatisfeita.
Vontades: A aparente satisfação da
vontade conduz ao tédio.
Vontades: A satisfação de um desejo é
como uma esmola que se dá ao mendigo, só consegue manter-lhe a vida para lhe
prolongar a miséria.
Vontade: Predominante no ser humano,
sendo assim, não existe amor, este sendo apenas uma forma de preservar a
espécie humana.” O amor não é algo romântico, mas sim uma ilusão”.
Vontades: É cega, incontrolável, eterna,
irracional, indestrutível e insaciável, que se mostra presente e atuante em
todos os elementos da natureza, tantos nos orgânicos como nos inorgânicos, é a
força por trás de tudo, sendo assim, a ideia de um Deus que rege tudo é
descartada.
Vontades: As formas racionais da
consciência não passariam de ilusórias aparências e a essência de todas as
coisas seria alheia a razão. “ A consciência é a mera superfície de nossa
mente, da qual, como da terra, não conhecemos o interior, mas apenas a crosta”.
A “verdade” será sempre inacessível, tirando a vontade, nada existe no mundo
senão fantasias,
Vontades: Tem dois aspectos. A
vontade que é a força por trás de todas as coisas e a representação que é o
mundo a realidade que criamos em nossa mente.
Vontades: A vontade que move o mundo
não tem um sentido elevado, ou um sentido maior, resta ao homem a coragem para
aceitar esse fato ou se refugiar de forma ilusória nas “metafísicas populares”,
as religiões.
Vontades: O conhecimento não nos
permite triunfar sobre esse mal. Pelo contrário: desenvolve a capacidade de o
sentir, aumentando a sensibilidade.
Vontades: É uma mal e a origem de
todos os males.
Vontades: O suicídio não seria a
solução . A destruição voluntária de uma só existência é um ato inútil e
estúpido, porque a espécie, a vida e a vontade em geral não seria afetada.
Na visão pessimista de Schopenauer, o
mundo está repleto de injustiças e violências, sendo assim, a existência é uma
fonte de sofrimentos.
Cada vida individual é uma tragédia
insignificante, que termina em uma morte inevitável.
Solução: Para escapar do incessante
devorar-se a si mesmo imposto pela vontade,devemos nos libertar das vontades e
dos desejos, suprimi-la, para alcançar o que é sublime. Aniquilação da vontade,
na renúncia total.
Isso pode ser feito pela possibilidade
do homem transcender sua percepção de mundo, libertar-se do desejo e,
temporariamente, contemplando a aparência do belo, da contemplação da arte e da
música que é capaz de expressar as vontades e revelar a essência interior do
mundo e suprimir o sofrimento.
A arte é capaz de ofuscar a vontade,
a contemplação pura da arte, descompromissada, faz o sujeito perder-se de si
mesmo, ela é independente do princípio da razão e é atemporal. Por meio da arte
o homem pode “apagar”, momentaneamente, o mundo que é sofrimento e trazer a
visão confortante da percepção artística.
Já pelo outro caminho, pela via do
ascetismo, Schopenhauer acredita que é possível, de forma mais duradoura,
apaziguar a dor. Este caminho é a negação da vontade. Pelas representações
oriundas da vontade, o asceta faz dela uma arma contra si mesma, nega-a através de suas representações que elegem
ideais como elementos mais supremos e primordiais para a obtenção do gozo, e
essa arquitetação se da no plano supra-sensível,as substancias que são
realidades primeiras. Por estar esse gozo representado no mundo das ideias, o
asceta, engana a vontade, mas não sabe por quanto tempo irá desfrutar dessa satisfação.
Obs:
Ascetismo é uma doutrina filosófica que defende a abstenção dos prazeres
físicos e psicológicos, acreditando ser o caminho para atingir a perfeição e
equilíbrio moral e espiritual.
A
renegação dos impulsos naturais carnais seriam o único caminho para atingir a
real sabedoria, exercitante o autocontrole diante das inúmeras tentações
humanas.
De
forma sucinta o texto exposto acima pode ser útil aos interessados na leitura
de Schopenhauer. Para ele as “vontades” não era uma ofensa a vida , mas uma
condição inescapável.
Esta
não é necessariamente minha visão, apenas expus as ideias do autor sobre " vontades". E o leitor tem toda a liberdade de discordar
e expressar sua própria visão do mundo e das coisas que nos cercam.
