A Face Negra da Vida
O lado negro da vida bate a porta;
Tu choras, revolta, mas volta;
Sua pele arde e enrijece;
Triste melodia da sua alma, puxada para as
sombras expostas;
O frio da solidão te estremece;
Olhar nublado, sem foco;
Tu rejeitas o toque, tua boca emudece;
O caos te rodeia, e nele está confinado;
Encarcerado dentro de si;
Magoado, incompreendido, apático, tedioso e
discriminado;
Assim passa os dias, e o tempo te sangra e
te agride;
Sua vida se esvai, na ponta dessa lança;
E acende sua recordação, vista em preto e
branco;
Pois seu colorido se foi, a esperança;
Desistiu de si, e entregou-se para a vida,
por insegurança;
Por alguns momentos felizes;
Impiedosa ela te cobra, e quer sua alma;
Tu te escondes, mas nas profundezas ela te
encontra, e te atemoriza;
Tortura-te, e te mostra o paraíso infernal,
que grita e brada;
Que suga, assombra e te divide;
Ela te seduziu, mentiu, fez promessas que
não cumpriu;
Tu foi impactado por isso, e tua catarata caiu;
E viste a face horrenda da vida negra, na abside;
E viste a face horrenda da vida negra, na abside;
Agora recuas, e enxerga o machado da
salvação posto aos teus pés, e tu o cingis;
Ergue-o, e cortas as correntes que te mantinha preso a ela;
Ergue-o, e cortas as correntes que te mantinha preso a ela;
Mil fagulhas de aço e luz se espalham, e tudo se revela;
E tu vês do outro lado,a terra viva e
fecunda, que deixaste;
Avidamente corre ao reencontro do lado
luminoso da vida;
Que glorioso contraste que expede, que diferença abismal do lugar
onde tu estavas;
E muito sofria.
Raquel G Morais, 21/01/19
Foto pessoal

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