Caminho longo, nicho sobrecarregado de coisas que não sei ao
certo o que é, só sei que está lá, tentam sair, mas são reprimidos.
Só eu consigo ver, e mesmo assim tento ignora-lo.
Tenho desejo de solta-los, mas tem uma força que impede.
Ele é insistente e nasce nos sonhos.
Lá tudo que é mais secreto é revelado, se torna verdadeiro,
sem máscaras, sem inibições, sem preconceitos, sem verdades fabricadas.
Lá sou livre, solta, meus pés corre sobre a campinas, sobe
montanhas e vasculha as cavernas.
La o mar é só azul, se confunde com o firmamento, não me
canso de banhar nele.
Estou na terra, mas também estou no céu.
Tudo se funde, o mar, o firmamento, a terra e o céu, tudo tomam
outras cores, outras formas e se embriaga com o calor do sol
Veste-se da imensidão, voa voos nunca alçados, é toda desejo
é toda realização.
No seu caminho não há muros, nem portas, pois disso já foi
liberta.
Agora são só sentidos, os pés tocam levemente as nuvens da
imaginação.
As mãos tocam o infinito e todo seu corpo é acariciado por
ele, tudo é poros, tudo é olhos, tudo é boca.
Eu olho, sinto, como e bebo tudo que ele me traz, sem remorsos,
sem restrições, com fome sem limites, sem verdades, sem mentiras.
Não existem fronteiras, só a imensidão.
Subo ao céu e vejo a terra, tudo engessado, oprimido,
recalcado, mas em reboliço.
A bolha pulsa prestes a explodir.
Como um vulcão ela entra em erupção, e jorra suas lavas,
lavas de todas as cores, de várias texturas, sem formas definidas, quentes,
volumosas e por onde ela passa, destrói, seca, aniquila.
Aniquila aquele mundo
maravilhoso, colorido e cheio de coisas inimagináveis.
Depois tudo se torna frio, sem vida, nada pulsa, todo o
elevo e toda a felicidade se torna nada.
Raquel G Morais, 11/01/2018.
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