As vezes sabemos quem somos e do que somos capazes, mas não
sabemos realmente o que queremos.
Realizamos muitas coisas, fazemos com que as pessoas se
orgulhem de nós, mas fazemos tanta coisa ao mesmo tempo, que não suportamos o
peso, e tropeçamos, e todo aquele orgulho que despertamos um dia, se torna nada.
Fazemos coisas porque somos cobrados a ser o que esperavam
que fôssemos, você se torna a realização de outras pessoas, mas é você mesmo
que permite isso, ninguém faz nada com você sem a sua permissão, e sabemos
disso, que permitimos muitas coisas e as pessoas se aproveitam disso, chega a
um ponto que reconhecemos nosso erro, mas várias coisas já se tornaram irreversíveis.
Mas não basta apenas saber onde falhou, tem que agir, essa é
a parte boa e ruim.
Boa porque você se sente muito melhor. Ruim, porque as
pessoas fazem com que você pareça totalmente perdida.
As vezes nos anulamos completamente e deixamos ser
conduzidos por outras pessoas, e isso é horrível, pois conduzir nossa vida e a
única coisa que podemos fazer.
E quando voltamos desse anulamento, deixamos que poucas
pessoas percebam isso, para se preservar, para não se machucar, mas deixamos
que alguns percebam que estamos novamente de volta e atentos ao que acontece na
nossa vida.
Afastamos das pessoas por deixar de confiar nelas, vivendo
arredia, não querendo que te percebam, para que não te façam cobranças
novamente. Começamos a viver em nossos pensamentos.
Mas isso não é suficiente, devemos viver com o nosso corpo,
se olhar, pensar, se sentir, rebelar-se. Fazer uma metamorfose, mudar internamente
a ideia de controle e também as nossas ações e até a aparência externa.
Só que a ideia de controle é uma ilusão, pois só achamos que
estamos no controle da nossa vida, mas na verdade, somos controlados pelo
sistema, pelas regras da sociedade em geral.
Até a verdade do controle pode ser uma ilusão, pois não
existem verdades absolutas ou simplesmente verdades, tudo é relativo, e até
isso pode ser uma ilusão, tudo pode ser um produto do meio, ou fruto da nossa
mente.
Chega ao ponto que duvidamos de tudo, mas se há dúvida, isso
leva ao conhecimento, e o conhecimento pode ser uma dúvida que não duvidamos e
usamos como resposta.
Pois o conhecimento também é relativo, há várias respostas
para uma mesma pergunta, depende de quando e onde se pergunta.
O ser humano é muito preocupado em dar respostas e também em
saber respostas, queremos um porque para tudo.
Mas a vida segue sem isso.
Mas ser curioso é bom, porque nos leva a novas descobertas.
Então tudo é um paradoxo, ser curioso, querer ter o conhecimento e desejar a
verdade e ao mesmo tempo desejando viver ser essa carga, viver com
simplicidade, sem se sentir tão pressionado a dar e receber respostas.
Mas podemos diminuir essa carga, procurar entender só aquilo
que nos convém, sem a necessidade de saber tudo, mas ter o conhecimento
necessário, para não ser tornar alienado.
A questão é: que cheguei a conclusão que mesmo as coisas que
conheço muito, provavelmente não conheça de fato, tudo é só um vislumbre, tudo
nos escapa, quem somos nós para dizer o que é realmente de fato nesse universo.
A dúvida é a mãe do conhecimento, podemos não ter certeza de
nada, mas isso também é uma forma de conhecimento, tudo pode ser uma ilusão,
produto do meio ou da nossa mente.
Tudo isso é uma viajem sem destino, e nessa viajem
encontramos de tudo, todo tipo de coisas e pessoas, umas sábias, outras tolas, algumas
totalmente ocas, temos que viver filtrando tudo que chega até nós, se não
ficamos atolados em coisas desnecessárias, que não nos agrega nada, nem o bem, nem
o mal, nem sabedoria nem conhecimento.
E sempre vamos voltar ao início da viajem, ao nada, a dúvida
sempre vai permanecer, e nunca chegaremos a uma conclusão.
Como disse o Filósofo Heráclito, “Ninguém pode entrar duas
vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as
mesmas águas, e o próprio ser já se modificou. Assim, tudo é regido pela
dialética, a tensão e o revezamento dos opostos. Portanto, o real é sempre
fruto da mudança, ou seja, do combate entre os contrários”.
O que ele quis dizer com isso? Que tudo está em constante mudança,
tanto o universo como o ser humano, nos mudamos a cada experiência que temos,
tudo flui nada permanece igual, nem a natureza nem o ser humano, e tudo é
regido pelo diálogo, debate, raciocínio e persuasão, e a realidade sempre muda,
os opostos se revezam, pelo combate entre os contrários. O bem o mal, o sólido
e o liquido, a montanha e o vale. Um dia podemos ser um rio caudaloso, o bem. Outro dia podemos
ser um vale seco, cheio de pragas e espinhos, o mal.
E assim seguimos a vida, sem ter certeza de nada, nem de
quem somos, pois tudo vive em constante transformação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário