Mesmo tão distante e tão perdida, guardo em mim as sementes,
mas estou em deserto e ele é impiedoso, não tem chuvas, somente ventos fortes e
areias, minhas flores perderam o cheiro, murcharam e caíram.
Fui pisoteada, esmagada, por animais, mas minhas sementes, essas
caíram na terra, a terra estava seca, elas ficaram vagando jogadas pelo vento,
até que veio a chuva, e como por um milagre, essas sementes brotaram, nem todas
sobreviveram, pois algumas caíram em terras não férteis, outras em meio as
pedras, outras entre pragas, mas algumas caíram em terras boas, nasceram,
cresceram, floresceram e deram frutos.
Mesmo o deserto não me destruiu e as sementes na terra foram
a minha salvação.
Eu renasci, me recriei, que nem mesmo eu me reconheço.
Não sei que forma tenho, as minhas cores, quais os meus
contornos, o meu tamanho e qual a profundidade das minhas raízes.
Só sei que hoje tenho cheiros, tenho cores, tenho o sol,
tenho a chuva, outras flores, as borboletas e o vento como amigo.
Renasci em um lugar alto, montanhoso e de difícil acesso,
estou segura, até quando eu não sei, pois poderão vir tempestades e ventos avassaladores,
mas vivo o hoje, me alegro hoje, exalo hoje, pois o futuro é apenas um pontinho
inatingível.
Raquel G Morais, 11/01/2018.
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