INOCÊNCIA QUEBRADA
Andando, correndo, os cabelos esvoaçando;
Ar puro, inocência pura;
A comida é escassa, mas o amor é abundante;
Mas esse paraíso foi tirado, a inocência quebrada;
O campo agora é de guerra, as pastagens são trincheiras;
O lixo é acumulado dentro e fora;
Todos presos em cadeias particulares;
Quem domina? Quem é dominado?
Todos são cozido no mesmo tacho;
Os incauto, súditos, ou soberanos;
Se curvando a um deus que domina a terra;
O dinheiro;
Que mais mata, do que da vida, ele é um tirano;
Causa mais doença, do que cura, certeiros;
Um vírus corrosivo, que devora quem tem, e quem não tem;
Está tudo em conserva;
Não tem mais corpo, nem rosto, nem sentimentos;
Cospe no prato, coração de aço;
Preso no laço que armou, todos protervas;
Reduto de mortos vivos, seres vingativos;
A vida pode valer o preço de um tênis;
Todos circulando no mesmo espaço;
Olham-se, mas não veem;
Processo regressivo;
Cercado pelo mal, medo paralisante dos seus iguais;
Desumanização, descaracterização;
Dignidade tirada, deslealdade;
É apenas mais um corrupto;
Criado e instruído, para atuar nesse mundo;
Onde ser honesto é defeito, e não qualidade ideal;
Quando mergulhamos nesse rio de lama e sangue?
Quando nossa inocência foi comprada, pela nossa submissão?
Quando passamos a ser massa manipulada, conduzidas e
ordenadas, ovelhas bumerangues?
Estamos indo direto para o matadouro;
Rindo e felizes, ignorando o destino que nos aguarda, nesse
embarcadouro.
Raquel G Morais, 14/08/18.
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