Menina, alegre e introspectiva, que se esconde do mundo, escalando a árvore mais alta;
Ridicularizada, e pouco amor para apagar sua dor;
Crueldade por diferentes níveis;
Autoestima arrancada;
Sentimento de perda, usurpando seu futuro apreensível;
Os dias são sombrios, e as noites assustadoras;
Excluída, banida, onde deveria ser acolhida;
Medo, e interrogação...Porque? Tudo é aterrador;
Vestidos remendados, calçado furado;
Como a alma, sentida e desprotegida;
Perguntas nunca respondidas;
Bonecas sem cabeças, pedaços de brinquedos;
Caderno sem capa, caixa sem lápis;
Mundo estranho, insípido e incolor;
Descobre uma fonte que jorra palavras;
E bebe com muita sede, e sente o frescor;
A fonte é refúgio, é sonho, e lhe dá asas;
Cada dia seu voo é mais extenso;
Foge dos horrores da realidade;
Da vida em pedaços, com lacunas e estilhaços;
Ho!! Palavras... Abençoadas palavras;
Inundadas e mergulhadas, nesse mar de segredos, A ser desvendados;
Mesmo dividida, alma machucada, ela tem um berço para ninar;
Nela ninguém da crédito;
Dela ninguém se espera;
Será sempre a menina esfarrapada;
Mas ela surpreendeu o mundo, com suas enormes asas;
Veste-se de conhecimento;
Se calça de razão, emoção e sensibilidade;
Voa com vigor, e sobe os degraus da vida, com empoderamento;
O medo, e o pesadelo a persegue, mas não é abalada;
Vai limpando seu caminho, que se ilumina gradualmente, e assim prossegue;
Nas noites de escuridão, pinta o céu, com lua e estrelas;
Explora, garimpa e seleta, atrás de seu ouro, na barrela com aquarelas;
Rega suas raízes, que se aprofundam em busca do lençol freático, entre as camadas da terra;
Enquanto se aprofunda e fortalece, ela floresce;
Com flores de várias cores;
Com frutos de vários sabores;
Flores com néctar, como licores;
Frutos produzidos no silêncio do dissabor;
Mas agora brame e exala perfume, que embriaga e seduz mentes e corações, com palavras multicores;
A menina cresceu e reluz.
Raquel G Morais, 24/09/18.
Imagem do Google.
Raquel G Morais, 24/09/18.
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