DESPERTAI
Há
inverno no verão;
Não
há flores na primavera;
As borboletas não voam;
Não
há frutos no outono;
Nem
revoadas de pássaros;
Os
rios secarão, e seus peixes morreram;
As
cidades fantasmas surgindo, com corpos esquecidos e aviltados;
Tudo
seco, o cheiro corrompido paira no ar;
Um
trem passa apitando, mas nunca para, pois não há passageiros;
Nas
noites não há lua, nem estrelas;
Só
a imensa escuridão, tudo envolto em sombras, há disseminar;
O
vento sopra os esqueletos das árvores, essas racham e desabam;
As
cidades habitadas estão em ruínas, sendo eliminadas;
Todos
correm sem destino, seus olhos opacos e sem vida;
Olham
como se nada vissem;
E
poucos se percebem vivos;
A
desolação está em toda parte, e o medo faz parte de tudo, como se algo previsse;
Ninguém
se reconhece, todos são estranhos;
Todos
se escondem do desconhecido;
Não
há muita razão para viver, tudo é insano;
Mas
ainda temem a morte;
Pois
ela está em todos os lugares, aos desavisados espreitando;
O
deserto invadem as cidades, o deserto invadem as pessoas;
Matam-se,
e morrem-se, mas continuam de pé;
O
arauto proclama solenemente o fim;
E
todos são despertados;
Tarde
demais para viver... Cedo demais para morrer...
Há
tremor e silêncio em todos os lugares;
Todos
choram suas dores e mazelas;
Pelo
passado, pelo porvir e pelo devir;
Pelo
passado que não viveram, pois estavam acomodados em suas confortáveis celas;
Pelo
futuro que não poderão viver, que não existirão, e entorpecidos, não puderam
pressentir;
Pois
estavam alienados, ensandecidos;
Seus
olhos abrem para realidade, para fatalidade;
E
verão que:
O
grande anjo da morte sobrevoa;
E
todas as vidas serão ceifadas.
Despertai,
despertai, ainda há tempo.

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