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domingo, 16 de setembro de 2018

DESPERTAI


DESPERTAI

Há inverno no verão;
Não há flores na primavera;
As borboletas não voam;
Não há frutos no outono;
Nem revoadas de pássaros;
Os rios secarão, e seus peixes morreram;
As cidades fantasmas surgindo, com corpos esquecidos e aviltados;
Tudo seco, o cheiro corrompido paira no ar;
Um trem passa apitando, mas nunca para, pois não há passageiros;
Nas noites não há lua, nem estrelas;
Só a imensa escuridão, tudo envolto em sombras, há disseminar;
O vento sopra os esqueletos das árvores, essas racham e desabam;
As cidades habitadas estão em ruínas, sendo eliminadas;
Todos correm sem destino, seus olhos opacos e sem vida;
Olham como se nada vissem;
E poucos se percebem vivos;
A desolação está em toda parte, e o medo faz parte de tudo, como se algo previsse;
Ninguém se reconhece, todos são estranhos;
Todos se escondem do desconhecido;
Não há muita razão para viver, tudo é insano;
Mas ainda temem a morte;
Pois ela está em todos os lugares, aos desavisados espreitando;
O deserto invadem as cidades, o deserto invadem as pessoas;
Matam-se, e morrem-se, mas continuam de pé;
O arauto proclama solenemente o fim;
E todos são despertados;
Tarde demais para viver... Cedo demais para morrer...
Há tremor e silêncio em todos os lugares;
Todos choram suas dores e mazelas;
Pelo passado, pelo porvir e pelo devir;
Pelo passado que não viveram, pois estavam acomodados em suas confortáveis  celas;
Pelo futuro que não poderão viver, que não existirão, e entorpecidos, não puderam pressentir;
Pois estavam alienados, ensandecidos;
Seus olhos abrem para realidade, para fatalidade;
E verão que:
O grande anjo da morte sobrevoa;
E todas as vidas serão ceifadas.

Despertai, despertai, ainda há tempo.

Raquel G Morais, 16/09/18.

Imagem do Google.



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