O AMOR AINDA ESPERA
Esperando no altar, o noivo que nunca chega
O jardim que nunca floresce
A fruta que não amadurece
Um tecido remendado
Um espelho quebrado
A imagem em pedaços
Nuvens secas
Céu turvado
De dentro da terra, o gelo nasce
Vulcões desaparecem
O vestido envelhece
Se dilacera
O corpo nu, sentado no degrau ainda espera
Árvore seca no deserto
O eremita na montanha
O aborto de uma criança
Grossas correntes arrastadas
Num assoalho gastado
Numa casa nunca habitada
Praia isolada
Mar congelado
Deus de barro quebrado
Seus pedaços espalhados
Nunca regenerado
O corpo nu chora
Sentado no degrau, ainda espera.
Raquel G Morais, 17/09/18.
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