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terça-feira, 18 de setembro de 2018

OLHOS INESCRUTÁVEIS

Olhos inescrutáveis

Sou o grito dos desesperados;
A voz dos aflitos;
Sou a fome, e o seio da fartura;
Sou o andarilho da rua, e sua roupa rasgada
Sou a criança que nunca nasceu, golpeada pelos pais;
Sou o escravo em prisões invisíveis, enfeitadas de liberdade;
Sou os acorrentados, chicoteados, por ideias e ideais, que nunca serão alcançados;
Sou o cego que vê pela visão do outro;
Sem saber que está vendado;
Sou a mãe e o pai que chora, por seus filhos jogados em um mundo, envolto de insensibilidade;
Sou o doente, o deficiente, que clama por piedade;
Sou o grito de socorro, dos dependentes do sistema, que querem ser libertados;
Sou os velhos asilados, que foram intensamente explorados;
Sou as crianças abandonadas, num mundo de crueldades;
Sou a água no deserto, os poços e cisternas, em um mundo ressequido, onde nada permanece;
Nem o amor prevalece;
Sou a espada de dois gumes, que defende o necessitado;
Sou a justiça, que julga a todos com imparcialidade;
Sou o segredo do coração;
Vejo por dentro e por fora, com visão ampliada;
Não precisa me temer, tema aos seus iguais;
Que por orgulho, inveja ou vaidade;
Querem reduzir a todos, a menos que nada;
Aos bons que ainda habitam esse mundo, não se deixem contaminar;
Pois, são por vocês, que vale a pena, conservar a humanidade,
mesmo em um mundo, cheio de iniquidade;
Quem eu sou?
Sou a perfeição, a pureza, num mundo infectado;
Sou aquele que tudo vê, que tudo sente;
Todas as dores, todos os clamores, todas as injustiças, toda fome e toda a pobreza;
Todo bem e todo mal, toda a esperança, que cerca essa existência quase aniquilada;
E ninguém se esconde, dos meus olhos inescrutáveis.

Raquel G Morais, 18/09/18.

Yeux incrustables


Je suis le cri du désespéré;

La voix des affligés;

Je suis la famine, et le sein de l'abondance;

Je suis le vagabond de la rue et ses vêtements déchirés;

Je suis l'enfant qui n'est jamais né, frappé par ses parents;

Je suis l'esclave dans des prisons invisibles, parées de liberté;

Je suis enchaîné, fouetté, pour des idées et des idéaux, qui ne seront jamais atteints;

Je suis l'aveugle qui voit par la vision de l'autre;

Sans savoir qu'il a les yeux bandés;

Je suis la mère et le père qui pleure, pour ses enfants jetés dans un monde, enveloppés dans l'insensibilité;

Je suis le malade, le handicapé, qui demande la miséricorde;

Je suis le cri de détresse des personnes, dépendant du système, qui veulent être libérées;

Je suis le vieil homme dans les asiles, qui a été intensément exploité;

Je suis les enfants abandonnés, dans un monde de cruautés;

Je suis l'eau du désert, les puits et les citernes, dans un monde aride, où il ne reste plus rien;

L'amour ne prévaut pas non plus;

Je suis l'épée à double tranchant qui défend les nécessiteux.

Je suis la justice, qui juge tous avec impartialité;

Je suis le secret du coeur;

Je vois à l'intérieur et à l'extérieur, avec une vue agrandie;

Tu n'as pas besoin de me craindre, tu dois craindre tes égaux;

Cela par orgueil, par envie ou par vanité;

Ils veulent réduire tout le monde à moins de zéro;

Pour le bien qui habite encore ce monde, ne vous laissez pas contaminer;

Car, pour cette portion de bonté, il est toujours utile de conserver l’humanité

Même dans un monde plein d'iniquité;

Je suis la perfection, la pureté, dans un monde infecté;

Je suis celui qui voit tout, qui ressent tout;

Toutes les douleurs, tous les cris, toutes les injustices, toute la faim et toute la pauvreté;

Tout bien et tout mal, tout espoir qui entoure cette existence presque anéantie;


Et personne ne se cache de mes yeux insondables.

Raquel G Morais.


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