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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

DEPRESSÃO E FELICIDADE COM UM OLHAR FILOSÓFICO.


Depressão está em ascensão. Um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde encontrou um aumento de 20 por cento nos casos de depressão em apenas uma década.
Kant, Schopenhauer , afirma que as coisas apenas podem ser percebidas, mas não conhecidas como realmente são em sua essência. Isso se deve porque o mundo depende do sujeito, é representação. Assim como o mundo, o homem seria movido por desejos impossíveis de satisfazer. A condição humana seria desejar, saciar-se, entediar-se e desejar novamente, em um ciclo que só terminaria com a morte. Quanto mais apegos, mais pesada fica a vida e mais se sofre quando se perde isso.
Esse desejo insaciável de possuir pode ser uma das causas da depressão.
O que é estoicismo?
O estoicismo baseia-se na ideia de que o objetivo da vida é viver de acordo com a natureza. A própria natureza é definida como todo o cosmos, incluindo os nossos semelhantes.
Epicteto nos disse: "Algumas coisas estão sob nosso controle e algumas coisas não estão sob nosso controle". E, se algo não estiver sob nosso controle, não vale a pena gastar energia.
 Marco Aurélio disse que: “viver de acordo com a natureza é reconhecer que, mesmo os indivíduos mais difíceis daqueles que podemos encontrar, no decorrer de um dia, podem ser como nós, alguém que talvez esteja lutando com os seus próprios mal-estar ou doenças.
Ao reconhecer isso, é mais fácil perdoar aqueles com quem discordamos. Mas, mais do que isso, talvez seja mais fácil tolerar-nos. Isso nos ajuda a reconhecer o sofrimento e o ser humano.
Reinhold Niebuhr dizia: “Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras".

Sofrimento e sua solução
Essa ideia ecoa quando Epicteto explica a origem do sofrimento humano:
"O que perturba as pessoas não são as coisas em si, mas seus julgamentos sobre as coisas".
Estar chateado com algo não é uma função do que parece "chateante"; Em vez disso, é o julgamento sobre essa coisa que causa a angústia.
Os julgamentos, e não as coisas ou eventos externos são a fonte do sofrimento humano.
O remédio a tudo isso, de acordo com Epicteto, é realmente apenas uma mudança de atitude em relação às coisas que acontecem. Quando pudermos enfrentar o dia com pleno reconhecimento do que esse dia poderia implicar e reconhecer que ainda devemos continuar, poderemos avançar.
Isso pode significar deixar a concepção de como as coisas deveriam ser e aceitá-las pelo que são, mesmo as mais frustrantes e deprimentes.
Então, "o trabalho de um ser humano" pode não parecer tão assustador.
 Nós modernos tomamos a felicidade como um “estado da alma”. E nós, do século XXI, temos cada vez mais visto que podemos falar da felicidade quase que como um estado que chamaríamos de físico. E cada vez mais as pesquisas científicas apontam para o cérebro e, nele, para o neurotransmissor chamado serotonina como sendo o elemento que pode nos dar ou tirar felicidade.
Donald Davidson nos mostra que, tanto a linguagem quanto os produtos químicos atingem o que somos, ou seja, organismos, funcionando como causas (que não se diferenciam de razões) para nossas alterações, então, tudo fica mais fácil de ser entendido.
Bem, é isso. Espero que vocês levem a sério o que digo e tirem proveito. Mas, não se esqueçam: a depressão crônica faz de você aquele que adora ser cuidado, então, quando algo pode tirar você da infelicidade, isso, não raro, pode lhe meter medo. E sabemos bem esta verdade: não são poucos os depressivos que diante da possibilidade de uma cura rápida preferem nem ouvir falar nisso. Ficar feliz é tudo que não querem, pois a infelicidade já teria se transformado em uma propriedade querida, um bem, uma vocação. E ninguém quer perder um bem ou uma vocação. Tirar a depressão de um deprimido crônico pode significar para ele devolver-lhe a liberdade, e uma boa parte de nós teme a liberdade.
Não há fórmula mágica, felicidade não deve ser tratada como ideal a qual perseguiremos a todo custo, 
É capaz, como diz Contardo Calligaris, que a felicidade seja mesmo ao menos uma das causas da depressão nesse mundo contemporâneo. De minha parte percebo que sou muito mais feliz (ou menos triste) ao me desprender e desprezar tais mitos sobre a felicidade. Não se permitir sentir tristeza é, quem sabe, a causa das ansiedades e desesperos em muitos que frequentam psiquiatras e tomam antidepressivos.
De toda forma, fica a pergunta; até que ponto iriamos para sermos felizes? Ao ponto de termos uma existência simplória, como diziam os românticos sobre os mais felizes? Ao ponto de resignarmos nossa pessoalidade, o que nos afeta e grande parte do que nós somos? Ser feliz vale a pena? Ou antes, não seria melhor aprender a lidar consigo próprio, conhecer a si mesmo e aceitar o processo de ponderação constante, ao invés de amaldiçoar grande parte de si?
Fica a dica:
Se vejo coisas de que não gosto,  é hora de examinar a MIM MESMO: minhas atitudes, minhas reações e reconhecer se necessito mudar algumas delas.
Examinaremos uma vez, outra e mais outras, antes de criticar os outros. Compreendo que minha vida está intimamente ligada a outras vidas, mas estou tendo sabedoria suficiente para entender que não posso mudar os outros, mas posso mudar minha maneira de pensar, atuar e reagir. Então, a resposta é: DEVO E POSSO MUDAR SOMENTE A MIM MESMO.

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