Depressão está em ascensão. Um estudo realizado pela Organização
Mundial de Saúde encontrou um aumento de 20 por cento nos
casos de depressão em apenas uma década.
Kant, Schopenhauer , afirma
que as coisas apenas podem ser percebidas, mas não conhecidas como realmente
são em sua essência. Isso se deve porque o mundo depende do sujeito, é
representação. Assim como o mundo, o homem seria movido por desejos impossíveis
de satisfazer. A condição humana seria desejar, saciar-se, entediar-se e
desejar novamente, em um ciclo que só terminaria com a morte. Quanto mais
apegos, mais pesada fica a vida e mais se sofre quando se perde isso.
Esse desejo insaciável de possuir pode ser uma das causas da
depressão.
O que é estoicismo?
O estoicismo baseia-se na ideia de que o objetivo da vida é viver de
acordo com a natureza. A própria natureza é definida como todo o cosmos,
incluindo os nossos semelhantes.
Epicteto nos disse:
"Algumas coisas estão sob nosso controle e algumas coisas não estão sob
nosso controle". E, se algo não estiver sob nosso controle, não vale a
pena gastar energia.
Marco Aurélio disse que: “viver de acordo
com a natureza é reconhecer que, mesmo os indivíduos mais difíceis daqueles que
podemos encontrar, no decorrer de um dia, podem ser como nós, alguém que talvez
esteja lutando com os seus próprios mal-estar ou doenças.
Ao reconhecer isso, é mais fácil perdoar aqueles com quem discordamos.
Mas, mais do que isso, talvez seja mais fácil tolerar-nos. Isso nos ajuda a
reconhecer o sofrimento e o ser humano.
Reinhold Niebuhr dizia: “Concedei-me, Senhor, a serenidade
necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para
modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras".
Sofrimento e sua solução
Essa ideia ecoa quando Epicteto explica a origem do
sofrimento humano:
"O que perturba as pessoas não são as coisas em si, mas seus
julgamentos sobre as coisas".
Estar chateado com algo não é uma função do que parece
"chateante"; Em vez disso, é o julgamento sobre essa coisa que causa
a angústia.
Os julgamentos, e não as coisas ou eventos externos são a fonte do
sofrimento humano.
O remédio a tudo isso, de acordo com Epicteto, é realmente apenas uma
mudança de atitude em relação às coisas que acontecem. Quando pudermos
enfrentar o dia com pleno reconhecimento do que esse dia poderia implicar e
reconhecer que ainda devemos continuar, poderemos avançar.
Isso pode significar deixar a concepção de como as coisas deveriam ser
e aceitá-las pelo que são, mesmo as mais frustrantes e deprimentes.
Então, "o trabalho de um ser humano" pode não parecer tão
assustador.
Nós modernos tomamos a felicidade como um “estado da alma”. E
nós, do século XXI, temos cada vez mais visto que podemos falar da felicidade
quase que como um estado que chamaríamos de físico. E cada vez mais as
pesquisas científicas apontam para o cérebro e, nele, para o neurotransmissor
chamado serotonina como sendo o elemento que
pode nos dar ou tirar felicidade.
Donald Davidson nos mostra que, tanto a linguagem quanto os produtos
químicos atingem o que somos, ou seja, organismos, funcionando como causas (que
não se diferenciam de razões) para nossas alterações, então, tudo fica mais
fácil de ser entendido.
Bem, é isso.
Espero que vocês levem a sério o que digo e tirem proveito. Mas, não se
esqueçam: a depressão crônica faz de você aquele que adora ser cuidado, então,
quando algo pode tirar você da infelicidade, isso, não raro, pode lhe meter
medo. E sabemos bem esta verdade: não são poucos os depressivos que diante da
possibilidade de uma cura rápida preferem nem ouvir falar nisso. Ficar feliz é
tudo que não querem, pois a infelicidade já teria se transformado em uma
propriedade querida, um bem, uma vocação. E ninguém quer perder um bem ou uma
vocação. Tirar a depressão de um deprimido crônico pode significar para ele
devolver-lhe a liberdade, e uma boa parte de nós teme a liberdade.
Não há fórmula mágica, felicidade não deve ser tratada como ideal a
qual perseguiremos a todo custo,
É capaz, como diz Contardo Calligaris, que a felicidade seja
mesmo ao menos uma das causas da depressão nesse mundo contemporâneo. De minha
parte percebo que sou muito mais feliz (ou menos triste) ao me desprender e
desprezar tais mitos sobre a felicidade. Não se permitir sentir tristeza é,
quem sabe, a causa das ansiedades e desesperos em muitos que frequentam
psiquiatras e tomam antidepressivos.
De toda forma, fica a pergunta; até que ponto iriamos para sermos
felizes? Ao ponto de termos uma existência simplória, como diziam os românticos
sobre os mais felizes? Ao ponto de resignarmos nossa pessoalidade, o que nos
afeta e grande parte do que nós somos? Ser feliz vale a pena? Ou antes, não
seria melhor aprender a lidar consigo próprio, conhecer a si mesmo e aceitar o
processo de ponderação constante, ao invés de amaldiçoar grande parte de si?
Fica a dica:
Se vejo coisas de que não gosto, é hora de examinar a MIM MESMO: minhas
atitudes, minhas reações e reconhecer se necessito mudar algumas delas.
Examinaremos uma vez, outra e mais outras, antes de criticar os outros. Compreendo que minha vida está intimamente ligada a outras vidas, mas estou tendo sabedoria suficiente para entender que não posso mudar os outros, mas posso mudar minha maneira de pensar, atuar e reagir. Então, a resposta é: DEVO E POSSO MUDAR SOMENTE A MIM MESMO.
Examinaremos uma vez, outra e mais outras, antes de criticar os outros. Compreendo que minha vida está intimamente ligada a outras vidas, mas estou tendo sabedoria suficiente para entender que não posso mudar os outros, mas posso mudar minha maneira de pensar, atuar e reagir. Então, a resposta é: DEVO E POSSO MUDAR SOMENTE A MIM MESMO.
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