Juntos e separados, unidos pelo acaso, separados por um abismo.
Duas vidas, dois mundos, dois extremos
Nada em comum
duas bolhas no mesmo ambiente, que as vezes se cruzam
Habita seu próprio mundo, vê e compreende o mundo do outro, tem consciência de causa.
O outro ignora, seu mundo é tão pequeno, tão limitado, só vê onde os olhos alcançam
Não imagina o tamanho e a profundidade do mundo que coexiste.
Se sente satisfeito, seu mundo está completo, tem tudo que precisa, não consegue ver além.
Nunca estará preparado para ver, pois a mente o limita.
Ela caminha com ele, mas ele nunca está com ela
Ela vê a todos, mas ninguém a vê, é uma peregrina em terra conhecida.
Mas não se incomoda, aprendeu a viver junto e separada, tem um mundo só seu, onde ninguém jamais pisou.
Sozinha ela é tudo,é todos, é completa, vive em sua própria companhia
Com o pensamento se conecta com o mundo
Está em todos os lugares, suas asas são potentes, paira por cima e observa o mundo
Uma ordem que é um caos, ninguém está com ninguém, há somente uma ilusão de não estar só, cada um segue sozinho o caminho que lhe destinou.
Ela é um esboço de um quadro não terminado, cada dia uma pincelada de vida, cada dia uma pequena morte, no outro se reinventa.
Tem em si uma vida, e outras vidas como dependentes, toca e retoca as outras vidas, e continua colorindo a sua.
É intrínseco, e dicotomia, tudo invisível a olho nu
Dois mundos, em um há tribulações, no seu solidão, paz e silêncio
É como estar sentada sozinha no meio do mundo, e inalar oxigênio puro
Não tem lei de gravidade, flutua sozinha no universo
Os pensamentos nascem como flores na primavera
As palavras contidas se espalham em forma de contos e poesias
O silêncio comunica com as palavras, as palavras não se dirige a ninguém especificamente.
Seu mundo é incontido, imparável, infinito
Nele ela não tem molde, é mutável, é ser, liberdade, caminho sem placa de chegada.
É intensidade, profundidade, onde mergulha num mundo de descobertas, que a surpreende a cada minuto, pois cada mergulho é uma explosão que alarga o seu mundo.
A cada conquista seu rosto anuncia, com um sorriso largo e olhar profundo, e ninguém compreende o por quê.
É só uma vida, sozinha, única, feliz, que aprendeu a conviver com a realidade, mas livre de suas guarras.
Cria suas próprias guarras, para lutar pelo seu espaço
Braços abertos, a espera do inesperado
Como se nada pudesse para-la
E quando o abismo se abre, ela está pronta para voar.
Raquel g Morais, 17/07/18.
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