Passos na Areia
Na sombra refrescante, me deito e penso...
Imagino uma noite fria, fogo alaranjado crepitando na lareira;
Uma música suave e lenta;
Sentados no sofá da sala, sentindo o aroma das amendoeiras;
Dançamos nesse som, e nesse cheiro, e nos aquecemos;
O sono vem, deitamos no tapete macio e adormecemos;
Mas na realidade, eu me debruço sobre meu leito e choro;
O frio da madrugada me impregna, e surra meu corpo;
E você tão longe....Te desejo e enamoro;
Brigo comigo, com o destino;
No pensamento sinto-me migrando, mas imigrando em mim;
Com as possibilidades do infinito na vida;
Lavei minha alma com as cores, turva e cristalina;
Pensar em você, ilumina meu dia;
Mas depois, é escurecido na saudade;
Meu sonho irreal, se espalha por toda parte;
O mundo me traga, e devora você;
Ferida que eu mesma fiz, e agora só tenho a mim;
O amor fica;
Mas deveria ir, ou se apagar;
Posso conceber o irreal, mas não realizar, nem dominar;
A realidade é uma sombra imperfeita, do sonho perfeito sem fim;
Com imagens, tão cruas, tão pobres;
As paisagens pintadas, surreais e rupestres, foi eu mesmo que escolhi;
E mais uma vez imagino...
Nosso encontro, numa noite fria perto do mar, onde o nevoeiro nos encobre;
A lua ouve nossa triste canção;
Nossos passos marcados na areia, que a água insiste em cobrir;
Vão sumindo, até o infinito, em expunção e extinção;
Mas meu desejo, e meu sonho persiste.
Raquel g Morais, 18.
Foto Pessoal

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