Vivos com Almas mortas
Quero me livrar de todas as dores, do
descaso;
Quero pegar um lápis, desenhar a vida, seus
caminhos, e suas paisagens;
Não quero julgamentos, nem aceitação, Quero
isolação;
Pois há riqueza de egoísmo, e pobreza de
consideração;
Vou bater em todas as portas, e não esperar
respostas;
Vou gritar bem alto, derrubar os muros e
estabelecer no cume;
Vou nadar no fogo, mergulhar no gelo, virar
vapor;
Vou esquecer quem sou, me livrar do ogro e
abraçar o lobo;
Vou entorpecer o mundo, num calmante
profundo;
E aproveitar o silêncio por alguns minutos;
Quero nadar com os peixes na piracema, Contra
todas as correntes;
Alcançar meu lugar de nascença, botar meus
ovos, e criar novos rebentos;
Vou ser a mistura anfíbia, de uma nova era;
Banir as espécies de flores sem cheiro, e
cactos secos;
Mares de espumas, que o vento assusta;
Serei a degeneração dos átomos e das
moléculas;
Destruições dos corpos, comido pelas locustas;
Apagados em pequenos flashes de luz;
Como brumas no ar, que desaparecem nas
cinzas do céu azul;
Quando cada célula não mais existir, eu serei
o vazio que preenche;
O que antes foi cheio e pestilento;
Tudo será branco, reluzente como cristal, e
com aroma de incenso;
Pois não terá mais a peste, a sujeira da
raça humana;
Quero ser um novo mundo, livre da
contaminação do vírus;
Que sentenciou todas as gerações, a viver em
risco, mergulhadas num rio;
De escuridão, podridão e alienação;
Vivos com almas mortas, Sonho de um demônio,
que encobre a lâmpada com sua sombra;
Nunca viram a vida e a luz, pois viveram em
abominação.
Raquel G Morais, 06/12/18.
Imagem do Google

Nenhum comentário:
Postar um comentário