Não Sou o que Veem, Não Sou o que Imaginam.
Eu viajo na floresta, em uma trilha secreta;
Os animais me observam, com olhar curioso;
Mas sentem que, não represento nenhum perigo concreto;
Pois temos algo em comum;
Nas matas eu me embrenho, e sinto meu lado oculto;
Minha vida paralela, não acompanha senso algum;
Eu sinto a força me tomando, meu corpo se transformando;
Meu olhar vasculha a noite, ele é inescrutável;
Minha agilidade é tamanha, como um raio corro bramando;
Meu olfato aguçado, farejo tudo de longe;
Sol selvagem, ninguém me amarra;
Tenho garra, razão e frieza;
Minha mordida poderosa, destroça carnes e ossos, sem nunca falhar;
Minha beleza imponente, hipnotiza qualquer transeunte;
Sou solitária e noturna, tenho muita destreza;
Sou guardiã da floresta, e do portal da morte, os protejo com unhas e dentes;
Tenho pressa, o dia está amanhecendo...
Passo a noite no paraíso, mas tenho que voltar para impureza;
Pego o caminho para uma praia quase deserta;
Ninguém pode me ver, eu me disfarço e retorno;
Inalando o frescor da água, numa manhã ensolarada;
Vejo a ponte sobre o rio, que me levará a cidade;
Ando pacientemente, recordando a noite passada;
Chego ao meu destino, um ninho emaranhado;
De carros, homens e prédios;
Aproximo-me lentamente, tomando meu lugar nesse ambiente;
Eu incomodo aos demais, que me olham espantados;
Causando, indignação, desejo, arrepio, mas nunca tédio;
Ninguém consegue decifrar, o porquê desse sentimento;
Um magnetismo paira no ar;
Eu sorrio por dentro;
Eu não sou o que veem, nem o que imaginam;
Eu sou o que sou, intensa, profunda, animalesca;
Eu sou a pantera negra.
Raquel G Morais, 28/11/18.
Imagem do Google.

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